Chevrolet Cruze    
  O Chevrolet Cruze se mostra um sedã bem interessante para quem quer uma condução mais esportiva e gosta de estabilidade. E por outro lado ele peca no consumo e em alguns detalhes de seu câmbio automático de seis marchas. Durante os dias em que andamos com o Cruze na cidade, notamos estes aspectos principais. Explico abaixo.

Ele tem uma condução esportiva pois tem um bom motor 1.8 de até 144 cavalos de potência, que empurra tranquilamente o peso um tanto exagerado do Cruze, de 1.399 quilos. Isso é feito também em parte pelo câmbio automático, que logicamente tem um espaçamento menor entre as marchas do que acontece com câmbios automáticos de quatro ou cinco marchas.

Outro detalhe que faz com que o Cruze agrade quem gosta de um sedã mais esportivo é sua suspensão, juntamente com os conjuntos de pneus e rodas. A suspensão dele é firme, parecida com o conjunto de um Jetta TSI ou de um Civic da geração que se vai. Isso é legal para quem quer uma boa estabilidade, mas faz com que os ocupantes sofram em percursos de piso ruim, e desagrada quem prefere conforto.

Ainda se os pneus fossem mais altos, teríamos mais conforto, mas eles são de medida 225/50 R17, da marca Kumho, ou seja, pneus largos e com perfil razoavelmente baixo. Eles também não se interessam em filtrar o que o piso ruim passa para a carroceria.

Fica a conclusão de que o Cruze foi feito para andar em asfalto perfeito, e portanto, em poucas cidades do Brasil. O outro lado da moeda é que você faz curvas com mais velocidade e nem precisa se preocupar com coisas como inclinação da carroceria ou cantar de pneus.

Afinal, pneus de largura 225 são mais largos que vários dos sedãs médios que temos a nossa disposição. Para se ter uma idéia, o Hyundai Azera vendido no Brasil entre 2007 e 2011 tem pneus 235/55 R17, e o Fusion V6 atualmente vendido aqui tem pneus iguais aos do Cruze, 225/50 R17.

Ainda sobre outro detalhe que privilegia esportividade e não conforto: os bancos dianteiros. Eles tem bom apoio lateral mas apertam o corpo. E não tem uma espuma muito macia não.

Entrando nos dois outros pontos negativos do modelo, podemos detalhar o que não gostamos no consumo urbano e no câmbio automático. Digo consumo urbano pois o rodoviário foi bem melhor. Na cidade, conseguimos no máximo 7,1 km/l com gasolina e ar-condicionado ligado.

Imaginavamos que o carro estava com álcool, até porque isso nos foi informado na GM. Mas ele estava com gasolina mesmo, pois quando o primeiro tanque foi esvaziado, completamos outro com gasolina em um posto de confiança, e o consumo foi ainda pior. Se fosse álcool no primeiro tanque, seria um consumo razoável para um sedã médio com motor 1.8, mas com gasolina, é um tanto alto.

Pode ser que a pequena quilometragem rodada do carro em questão (2.300 quilômetros) tenha jogado contra essa média? Pode ser que sim, mas isso não faz muita diferença, pois a grande maioria dos carros que testamos está pouco rodada, e revistas/jornais também testam carros bem novos.

E no câmbio automático notamos alguns problemas nas trocas de marcha. Quando o câmbio aumenta de marcha, ele eleva muito as rotações no processo, e acaba berrando demais. Algo como se você estivesse deixando a embreagem deslizar mais que o correto, em um carro com câmbio manual.

E em certos momentos, quando você está em segunda marcha e chega a um cruzamento, reduzindo a velocidade, o câmbio de repente faz uma redução brusca para a primeira, dando um tranco nos ocupantes.

Acreditamos que este câmbio deveria ter um funcionamento mais suave, até mesmo por se tratar de uma caixa mais moderna, com seis marchas. Mas, não se preocupe com o desempenho, pois quando você pisa pra valer, ele troca as marchas corretamente, e o Cruze eleva a velocidade com facilidade.

Nas descidas bem inclinadas dentro da cidade, o câmbio automático do Cruze aplica freio-motor, mantendo a marcha engatada e evitando o uso do freio. Isso pode ser visto como bom, mas quando a descida é pouco inclinada, este detalhe incomoda, pois o carro acaba perdendo velocidade. Você tem que acelerar para ele manter o passo. Esquisito. Outra coisa: na estrada, saiba que as seis marchas foram muito bem-vindas. Explicaremos nas próximas matérias.

Resumindo: embora eu tenha citado deficiências no câmbio automático, no consumo e uma suspensão um tanto firme, o Cruze revela ter muitas qualidades andando na cidade. Se você gosta de um carro firme, na mão, com boa disposição, faça um test-drive que irá gostar.